domingo, 18 de julho de 2021

Eu vivo numa bolha. Você e todo mundo também. Cada um na sua e em alguns pontos elas se misturam. Noutros se antagonizam. No entanto, todas elas são compostas do mesmo elemento: a vida.

Essa bolha é um conjunto de crenças, emoções e sentimentos que viemos experienciar. Essas crenças estão diretamente relacionadas aos indivíduos, grupos familiares e sociais. Que por sua vez, refletem e impactam nos aspectos físicos, étnicos, etários, educacionais, sexuais, financeiros, etc. 

Naturalmente as crenças individuais e familiares não estão em paz, estão carregadas de dor, de negatividade [crenças que afastam da luz/amor/paz/gratidão] e consequentemente as sociais [profissionais, geopolíticas, ideológicas, etc]. Isso faz parte do fluxo da existência!


Viemos para transmutar essas crenças! [transição planetária] [dor -> amor]


E por que é tão difícil transformá-las? 


Porque é natural do ser humano querer se manter seguro. O que é conhecido pode trazer essa sensação. Chakra base desequilibrado, ego, busca de pertencimento, karma. 


Então, mudar uma crença mexe e remexe com quem achamos que somos, com as nossas relações, com o que acreditamos [volta pras crenças]. Cutuca o ego, as dores. Nos vulnerabiliza. 


A minha bolha pode se cruzar com a sua num ponto específico. Esse ponto pode ser de uma dor familiar, que veio dos nossos ancestrais [mortes, traições, violências, etc], de outras bolhas que já fui, de como percebo a minha atual e que refletimos para o coletivo [feminismo, partido político, identidade de gênero, etc.. e/ou estamos simplesmente  dando continuidade a violência, a traição, o medo, a imposição, etc]. De toda forma, todos esses motivos estão conectados às crenças da dor, percebem?


A esse movimento temos chamado de empatia. Será que é mesmo?


Eu venho observando e percebendo que há mais “empatia seletiva” do que conexão por amor de fato. Sim, a vida acontece em vários níveis! O que talvez você acredite ser empatia, na verdade pode ser uma parte sua fugindo da dor que ela não quer acessar. ..


Por exemplo: ‘mas eu defendo o racismo e sou branca, é porque’... você pode ter tido um ancestral que foi escravo e morreu apanhando. Isso dói. Essa é a nossa história [então quer dizer que em um dado ponto essas bolhas se cruzaram]. E nós ainda não estamos em paz com ela. Você se diz ser feminista em prol das mulheres porque… seu feminino pode estar devastado e você não quer olhar lá no fundo do que lhe corta a alma: você julga piamente a sua mãe e/ou coitada, sofreu tanto, preciso redimí-la! E/ou a sua criança ferida só quer que você reconheça que tem um pai e também é ele [a metade por sinal]. Mas não.. Porque né, ele foi um monstro! E como você pode crescer? Numa mulher que rejeita o masculino, o homem.. sendo praticamente um, quanta ironia - mas a construção social só vale pra um lado, certo? E/ou eu não me reconheço maravilhosa, mas exijo que o mundo o faça! E isso dói. Puts! Como eu sei que dói. Tudo isso. E por aí vai… Tudo isso inconscientemente e/ou não.


Fazer essa investigação pode arrebentar as suas crenças e você pode tá me xingando nesse momento [se sentiu desconforto, sugiro investigar mesmo! Por experiência própria, estudos e atendimentos. E tbm se não quiser acreditar em nada disso, é um direito seu!]. 


Cada caso é um caso. Cada bolha se cruza em um ponto específico com outra[s].


Empatia, para mim, é conexão com a vida. Para muito além das funções emocionais, cognitivas, etc do ser humano. As emoções ocorrem em estados muito particulares. Bem como as percepções de vida de cada um. 


A vida não! A vida é “a mesma matéria prima” de TODOS os seres vivos. E quando estamos desconectados das nossas vidas, nos compreendemos como sendo apenas estados emocionais e/ou perceptivos da existência [falta de fé, de confiança, de autoperdão, mecanicidade, reatividade, falta de autorresponsabilidade, terceirização de tudo, desconexão com a natureza, etc]. 


Daí recorremos a essa “empatia seletiva” sem nem nos darmos conta. 


Quem violenta sofre, quem apanha sofre. E não é uma competição. Não mais. Ambos ainda precisam aprender através da violência [a dor ainda é meio de aprendizagem]. Ambos carregam histórias de violência em seus seres, que necessitam ser curados. São histórias particulares, individuais e familiares, que vemos repetir no coletivo. [isso não quer dizer que nos meios legais seja negligenciado, ele também precisa ser respeitado - e quando não - pode ser inclusive uma desconexão com a vida na terra, a rotina, o trabalho, o servir - energias do feminino e masculino descompensadas].


Portanto, quando a nossa bolha se cruza com uma dessas histórias e se mistura com ela é porque ela se identificou com a dor, com o aprendizado que precisa ser visto e acolhido em nós mesmos! Percebem? 


Uma coisa eu lhe garanto: o amor acolhe, serve com compaixão, age com assertividade, neutralidade, discernimento, clareza, firmeza. A dor julga, critica, maltrata, humilha, domina, “paga com a mesma moeda” sem nem perceber, “morde a língua”. 


A vida se repete: no ser, na família e no social. O que você está repetindo com mais força e atenção? A dor ou o amor? O que você tanto rejeita? Você acolhe a sua própria dor? Você se vitimiza? 


Então seja um exemplo de amor! E não de dor. 


Haja no que acredita guiado pelo amor, pela compreensão, pela vida! Sirva as pessoas da forma que faz o seu coração vibrar. Não movida pela raiva, pelo medo, pelo ressentimento, senão você acaba alimentando a dor por outra via e o ciclo permanece!


Estoure a própria bolha e se conecte com a vida, com a espiritualidade, com as emoções positivas!!! Mostre, ensine, seja a própria bolha estourada diante das outras bolhas intactas.. Pois querer estourar as bolhas dos outros podem sufocá-los, amedrontá-los, refutá-los… retirá-los a força e a dignidade de saírem de suas próprias bolhas!!!


Até mesmo porque ninguém consegue estourar a bolha de ninguém. ;)


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