Sentei no sofá um tanto irritadiça. Queria entender como algumas pessoas estavam desorganizando as minhas teorias sobre elas. Como podem?!
Por que essa sua necessidade de colocar pessoas em caixinhas? Como fica essa organização quando uma mesma pessoa ocupa duas caixinhas diferentes? O que você sente quando uma não se encaixa em nenhuma delas? Existem pessoas com passe livre para ficar trocando sem serem “massacradas” ou excluídas da sua vida?
Refleti. Sinto raiva. Também simplesmente por não compreender que é assim que acontece naturalmente comigo. Nutro uma necessidade de organizar as emoções, consequentemente as pessoas.
Então acaba sendo sobre você, certo?
Não, eu só preciso que elas ajam de acordo! Ou não se intitulem de tal maneira. Se me amam por que me traem? Isso não é amor. Se são honestas por que não são capazes de falar sobre porque mentiram? Se se dizem “assado” por que agem como “cozidas”?
As pessoas têm o direito de mudar? De serem incoerentes? De caírem em suas próprias contradições? De serem humanas? Falhas?
Sim, têm! Todo mundo tem o direito de ser quem são…
Humm.. mas desde que ajam de acordo com as suas caixinhas, certo?
Não.. não é bem assim.. É que…
Em quais caixas você se coloca? Algumas são “opostas”?
Silencio. Engulo seco.
Eu e as minhas caixinhas.
Antes, turbilhões de emoções, ações reativas, pessoas, relacionamentos.
Hoje, emoções, teorias, correlações, incoerências, questionamentos, situações, limitações, indefinições. VULNERABILIDADE.
O que acolho em mim, respeito no outro. E anda longe de ser tão coerente, fluído, leve e constante assim!
Façamos uma revolução em nós mesmas!
Gabriéla Sobreira

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