sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A CABALA REVELADA: O Guia da Pessoa Comum para uma Vida Mais Tranquila

     Por ter adentrado ao mundo da Numerologia Cabalística, busquei literatura que me colocasse mais próxima do que venha ser a Cabala. Um dos livros mais indicados que achei foi A Cabala Revelada de Rav Michael Laitman. É um livro bastante interessante!
    Tenho buscado ler livros sem ficar fazendo julgamentos, contestações durante a leitura. Sei se consigo isso não! Haha. Por um lado, vem o fortalecimento do pensamento crítico e das costuras com outros aprendizados e experiências. Nesse livro, percebi que muito do que outros estudos trazem a mesma proposta, baseados na Cabala ou não, com termos diferentes. O que é a vida senão uma forma de comunicar diferente as mesmas coisas, não é mesmo?!
    É um verdadeiro convite para além de conhecer seus ensinamentos [de forma bem resumida, creio eu], transformar a própria realidade e resgatar a consciência planetária na qual andamos tão necessitados.

  “No mundo de hoje, o emergir da Cabalá como um autêntico meio de instrução é de singular importância. Ela pode nos ajudar a resgatar a consciência da sabedoria que nossos antepassados possuíram, e que nós esquecemos. As sabedorias nativas estão aparecendo hoje exatamente porque nossa tradicional escola mecânica de pensamento falhou em prover-nos com o bem-estar e a sustentabilidade que nos havia prometido... “Assim, ao invés de se romper em conflito e guerra, a humanidade irá romper uma barreira não meramente para um mundo sustentável de comunidades autoconfiantes e cooperadoras, mas para um futuro prazeroso de paz, tranquilidade e completa auto realização.”

    Na antiguidade os povos possuíam uma conexão maior com a natureza, ao passo que, ao não compreendê-la não se sentiam seguros, temiam-na. Então passaram a buscar forma de entendê-la e descobrir quem a governava. “Aqueles indivíduos que receberam o mais elevado nível de conhecimento, o do Plano Mestre, são conhecidos como “Cabalistas.””. Abraão foi o primeiro cabalista a ensinar professores para passarem a Cabala adiante.

    Para os cabalistas, o Plano Mestre é o “Pensamento da Criação” feito pelo “Criador”. Eles citam como tendo o mesmo significado o Criador e a Natureza/Leis da Natureza. Este termo Criador para os cabalistas não evoca uma entidade distinta, sobrenatural e sim um nível que o ser humano pode alcançar ao buscar conhecimentos superiores, um convite a experimentação ao mundo espiritual. “O termo, “Cabalista,” vem da palavra Hebraica, Kabbalah (“recepção”). A língua original da Cabalá é o Hebraico, uma linguagem desenvolvida especialmente por e para Cabalistas, para ajuda-los a se comunicarem uns com os outros sobre assuntos espirituais. Muitos livros de Cabalá foram escritos em outras línguas, também, mas os termos básicos são sempre em Hebraico.

    Os primeiros cabalistas ensinavam como a natureza funcionava e serviu de base tanto para a ciência antiga e quanto para a moderna. Por serem grandes sábios, estavam sempre entre as lideranças de suas sociedades, os eruditos apoiados nessa sabedoria desenvolveram a “filosofia Ocidental”. Inclusive a palavra filosofia vem do grego philosophia , que por sua vez é a tradução de Pitágoras para o grego do termo Kabbalah. No entanto, os filósofos não eram cabalistas, pois eles não estudavam profundamente a Cabala, portanto não conseguiam compreendê-la como “deveriam”.

    “A filosofia Ocidental gerou ciências que investigaram nosso mundo material, que percebemos com nossos cinco sentidos. Mas a Cabalá é uma ciência que estuda o que acontece além do que os nossos sentidos percebem. A mudança na ênfase conduziu a humanidade na direção oposta do conhecimento original que os Cabalistas obtiveram. Esta mudança na direção levou a humanidade a um desvio...”

    E por que a Cabala se tornou um conhecimento oculto? Porque a demanda caiu e as pessoas passaram a se ocupar em desenvolver as religiões monoteístas e a ciência. Ambas foram criadas com a intenção de responder “por que nascemos?”, “o que viemos fazer aqui?”, no entanto, não preenchem mais as necessidades humanas, voltando-se novamente aos ensinamentos orientais, ao misticismo, a futurologia, etc, e por conseguinte a Cabala também. 

    A Mesopotâmia é o berço da Cabala - com seu “nascimento” por volta de 5.000 anos atrás – do misticismo e de todos os ensinamentos antigos. “O centro cultural do mundo antigo”. Nesse período as pessoas se sentiam seguras com as suas crenças e não se questionavam sobre a origem da vida. Elas não tinham o desejo de receber [nível zero] e hoje em dia nós estamos no nível 4. “Mas nos primórdios quando o desejo de receber estava no nível zero, os desejos não eram poderosos o bastante para nos separar da Natureza e uns dos outros... Elas sequer sabiam que poderiam separar-se da Natureza, e nem queriam que isso acontecesse”. Foi um tempo de unidade, a comunicação era fluida e livre [comunicavam-se por pensamento].

    No entanto, as pessoas começaram a utilizar a natureza para si próprias, querendo mudá-la para que a mesma se adapte ao ser e não o inverso. Tornaram-se egoístas, os desejos começaram a aumentar. Elas começaram a se separar da natureza, dos outros e de si mesmas, se tornando alienadas, distantes de si. O ódio começou a tomar conta. A “Nação” antiga então se formou em dois grupos (Ocidente e Oriente), separados e cada vez mais se dividindo até chegar ao que temos hoje, inúmeros países. Vide a passagem “A Queda da Torre de Babel” na Bíblia, a criação de diversas línguas e os entraves culturais. Por Babel leia-se o centro da Mesopotâmia. Desde então a humanidade passou a se confrontar com a natureza. Nesse período vivendo o que eles chamam de nível 1 do desejo.

    O nível de egoísmo continuou a crescer e consequentemente os desejos. E nós cada vez mais distante da Natureza/do Criador. Diante de tantas crises globais, a humanidade está caminhando para ser uma única nação novamente, sem separação da Natureza, cada país com a sua diferença, a sua importância. Para a sabedoria da Cabala isso está ocorrendo devido a colisão de culturas e o ressurgimento das crenças místicas, o entendimento de que todos nós estamos conectados.

    Busquei fazer um resumo bem explicado do início do livro pra compreensão do que vem a seguir:

- Somos naturalmente egoístas (é necessário se reconhecer egoísta);

- O desejo de receber possui 4 níveis de intensidade;

- O desejo de receber evolui constantemente (criando novas necessidades);

- “É a evolução do desejo de receber prazer que cria a evolução.”

- 1º nível do desejo: são desejos físicos – comida, sexo, família (desejos animais - todas as criaturas vivas sentem);

- 2º nível do desejo: são desejos riquezas (desejos humanos - a partir desse nível só os humanos sentem)

- 3º nível do desejo: são os desejos por honra, fama e domínio;

- 4º nível do desejo: são os desejos por conhecimento (nos trouxe “onde” estamos);

- Somos dirigidos por obter prazer (motivação interna);

- “O prazer não está no objeto desejado; está naquele que deseja o prazer”;

- Kli (vaso) é o desejo de receber específico por algo específico;

- Ohr (luz) é a recepção de prazer (são os dois termos mais fundamentais da sabedoria da Cabala);

- Quando construir seu vaso para o Criador, você receberá a Sua Luz;

- A manipulação do desejo se dá de duas formas:         

 - dominação dos desejos (hábitos rotineiros) – utilizado por mtas religiões – as recompensas

-suprimindo-os – comumente nas tradições orientais

- Ambas formas não preenchem o Kli (o vaso – o desejo de receber);

- Livro de Zohar: um novo nível de desejo surgiria no final do século XX (é a culminação de todos os outros);

- 5º nível do desejo: “Ponto do coração” – o desejo pela espiritualidade, o que só provém do encontro com ela (desejo espiritual);

 

    “Quando o “ponto no coração” aparece, a pessoa começa afastar- se de querer prazeres mundanos – sexo, dinheiro, poder, e conhecimento – para querer prazeres espirituais. Por este ser um novo tipo de prazer que estamos buscando, nós também precisamos de um novo método para satisfaze-lo. O método para satisfazer o novo desejo é chamado de “a sabedoria da Cabalá” (a sabedoria de como receber).”

 

    Por isso os cabalistas vem trabalhando em maneiras mais simples de comunicar e espalhar essa “Sabedoria Oculta”. A intenção em receber é o que diferencia o Tikkun (correção) no quinto nível: se for para nós, será um ato egoísta, se for para se unir a Natureza, será altruísta, ou seja, viver a doação de coração, de forma despretensiosa.

    O livro se debruça nessa evolução dos desejos até chegar ao ponto da busca pela espiritualidade. Que a crise global é porque estamos vivendo uma crise de desejos. A raiz de todos os problemas está na insatisfação espiritual, ao satisfazer o desejo espiritual todos os outros problemas desaparecerão.

    A partir de sua leitura pode conhecer um pouco sobre a Origem da Criação e seu propósito (em nos tornarmos semelhante a Ele pelo prazer da doação – que em um dado momento sentiremos prazer em doar e não só em receber – e depois de buscarmos o porquê disso querermos genuinamente sermos igual a Ele), os Mundos Espirituais (no qual difere da percepção que temos sobre a realidade), Nosso Mundo, as fases que passamos até atingir o ser espiritual num nível espiritual. Quanto mais buscamos pela espiritualidade (sermos altruístas) mais sentiremos mais sensações espirituais (Reshimot – registros de experiências espirituais - subiremos na espiral para mais próximo do Criador) – a conectividade, o amor, a unidade desse estado.

 

“Precisamos sempre lembrar que nosso nível final de desenvolvimento humano deve se desdobrar conscientemente e voluntariamente. Sem um desejo explícito pelo crescimento espiritual, nenhuma evolução espiritual pode ocorrer... Se agora, estamos para subir de volta a escada espiritual, precisamos escolher fazer isso”. (lembra dos mundos? Então, existe uma “parte” de nós já no “mundo espiritual” e nós aqui humanos na Terra – “embaixo” – precisa se conscientizar de subir a espiral e se reencontrar com essa “parte” mais elevada de nós mesmos)


    Eu gostei bastante do livro e vou relê-lo algumas vezes para ampliar esse conhecimento adquirido e fazer as devidas correlações.