“No
mundo de hoje, o emergir da Cabalá como um autêntico meio de instrução é de
singular importância. Ela pode nos ajudar a resgatar a consciência da sabedoria
que nossos antepassados possuíram, e que nós esquecemos. As sabedorias nativas
estão aparecendo hoje exatamente porque nossa tradicional escola mecânica de
pensamento falhou em prover-nos com o bem-estar e a sustentabilidade que nos
havia prometido... “Assim, ao invés de se romper em conflito e guerra, a
humanidade irá romper uma barreira não meramente para um mundo sustentável de comunidades
autoconfiantes e cooperadoras, mas para um futuro prazeroso de paz,
tranquilidade e completa auto realização.”
Na
antiguidade os povos possuíam uma conexão maior com a natureza, ao passo que,
ao não compreendê-la não se sentiam seguros, temiam-na. Então passaram a buscar
forma de entendê-la e descobrir quem a governava. “Aqueles indivíduos que
receberam o mais elevado nível de conhecimento, o do Plano Mestre, são
conhecidos como “Cabalistas.””. Abraão foi o primeiro cabalista a ensinar
professores para passarem a Cabala adiante.
Para
os cabalistas, o Plano Mestre é o “Pensamento da Criação” feito pelo “Criador”.
Eles citam como tendo o mesmo significado o Criador e a Natureza/Leis da Natureza.
Este termo Criador para os cabalistas não evoca uma entidade distinta,
sobrenatural e sim um nível que o ser humano pode alcançar ao buscar conhecimentos
superiores, um convite a experimentação ao mundo espiritual. “O termo,
“Cabalista,” vem da palavra Hebraica, Kabbalah (“recepção”). A língua original
da Cabalá é o Hebraico, uma linguagem desenvolvida especialmente por e para
Cabalistas, para ajuda-los a se comunicarem uns com os outros sobre assuntos
espirituais. Muitos livros de Cabalá foram escritos em outras línguas, também,
mas os termos básicos são sempre em Hebraico.
Os
primeiros cabalistas ensinavam como a natureza funcionava e serviu de base tanto
para a ciência antiga e quanto para a moderna. Por serem grandes sábios,
estavam sempre entre as lideranças de suas sociedades, os eruditos apoiados
nessa sabedoria desenvolveram a “filosofia Ocidental”. Inclusive a palavra filosofia
vem do grego philosophia , que por sua vez é a tradução de Pitágoras para
o grego do termo Kabbalah. No entanto, os filósofos não eram cabalistas,
pois eles não estudavam profundamente a Cabala, portanto não conseguiam
compreendê-la como “deveriam”.
“A filosofia Ocidental gerou ciências que investigaram nosso mundo material, que percebemos com nossos cinco sentidos. Mas a Cabalá é uma ciência que estuda o que acontece além do que os nossos sentidos percebem. A mudança na ênfase conduziu a humanidade na direção oposta do conhecimento original que os Cabalistas obtiveram. Esta mudança na direção levou a humanidade a um desvio...”
E por que a Cabala se tornou um conhecimento oculto? Porque a demanda caiu e as pessoas passaram a se ocupar em desenvolver as religiões monoteístas e a ciência. Ambas foram criadas com a intenção de responder “por que nascemos?”, “o que viemos fazer aqui?”, no entanto, não preenchem mais as necessidades humanas, voltando-se novamente aos ensinamentos orientais, ao misticismo, a futurologia, etc, e por conseguinte a Cabala também.
A Mesopotâmia é o berço da Cabala - com seu “nascimento” por volta de 5.000 anos atrás – do misticismo e de todos os ensinamentos antigos. “O centro cultural do mundo antigo”. Nesse período as pessoas se sentiam seguras com as suas crenças e não se questionavam sobre a origem da vida. Elas não tinham o desejo de receber [nível zero] e hoje em dia nós estamos no nível 4. “Mas nos primórdios quando o desejo de receber estava no nível zero, os desejos não eram poderosos o bastante para nos separar da Natureza e uns dos outros... Elas sequer sabiam que poderiam separar-se da Natureza, e nem queriam que isso acontecesse”. Foi um tempo de unidade, a comunicação era fluida e livre [comunicavam-se por pensamento].
No entanto, as pessoas começaram a utilizar a natureza para si próprias, querendo mudá-la para que a mesma se adapte ao ser e não o inverso. Tornaram-se egoístas, os desejos começaram a aumentar. Elas começaram a se separar da natureza, dos outros e de si mesmas, se tornando alienadas, distantes de si. O ódio começou a tomar conta. A “Nação” antiga então se formou em dois grupos (Ocidente e Oriente), separados e cada vez mais se dividindo até chegar ao que temos hoje, inúmeros países. Vide a passagem “A Queda da Torre de Babel” na Bíblia, a criação de diversas línguas e os entraves culturais. Por Babel leia-se o centro da Mesopotâmia. Desde então a humanidade passou a se confrontar com a natureza. Nesse período vivendo o que eles chamam de nível 1 do desejo.
O nível de egoísmo continuou a crescer e consequentemente os desejos. E nós cada vez mais distante da Natureza/do Criador. Diante de tantas crises globais, a humanidade está caminhando para ser uma única nação novamente, sem separação da Natureza, cada país com a sua diferença, a sua importância. Para a sabedoria da Cabala isso está ocorrendo devido a colisão de culturas e o ressurgimento das crenças místicas, o entendimento de que todos nós estamos conectados.
Busquei fazer um resumo bem explicado do início do livro pra compreensão do que vem a seguir:
- Somos naturalmente egoístas (é necessário se reconhecer
egoísta);
- O desejo de receber possui 4 níveis de intensidade;
- O desejo de receber evolui constantemente (criando novas
necessidades);
- “É a evolução do desejo de receber prazer que cria a
evolução.”
- 1º nível do desejo: são desejos físicos – comida, sexo,
família (desejos animais - todas as criaturas vivas sentem);
- 2º nível do desejo: são desejos riquezas (desejos humanos
- a partir desse nível só os humanos sentem)
- 3º nível do desejo: são os desejos por honra, fama e
domínio;
- 4º nível do desejo: são os desejos por conhecimento (nos
trouxe “onde” estamos);
- Somos dirigidos por obter prazer (motivação interna);
- “O prazer não está no objeto desejado; está naquele que
deseja o prazer”;
- Kli (vaso) é o desejo de receber específico por algo
específico;
- Ohr (luz) é a recepção de prazer (são os dois termos mais
fundamentais da sabedoria da Cabala);
- Quando construir seu vaso para o Criador, você receberá a
Sua Luz;
- A manipulação do desejo se dá de duas formas:
-
dominação dos desejos (hábitos rotineiros) – utilizado por mtas religiões – as recompensas
-suprimindo-os – comumente nas tradições
orientais
- Ambas formas não preenchem o Kli (o vaso – o desejo de
receber);
- Livro de Zohar: um novo nível de desejo surgiria no final
do século XX (é a culminação de todos os outros);
- 5º nível do desejo: “Ponto do coração” – o desejo pela
espiritualidade, o que só provém do encontro com ela (desejo espiritual);
“Quando o “ponto no coração” aparece, a pessoa começa
afastar- se de querer prazeres mundanos – sexo, dinheiro, poder, e conhecimento
– para querer prazeres espirituais. Por este ser um novo tipo de prazer que
estamos buscando, nós também precisamos de um novo método para satisfaze-lo. O
método para satisfazer o novo desejo é chamado de “a sabedoria da Cabalá” (a
sabedoria de como receber).”
Por
isso os cabalistas vem trabalhando em maneiras mais simples de comunicar e
espalhar essa “Sabedoria Oculta”. A intenção em receber é o que diferencia o
Tikkun (correção) no quinto nível: se for para nós, será um ato egoísta, se for
para se unir a Natureza, será altruísta, ou seja, viver a doação de coração, de
forma despretensiosa.
O
livro se debruça nessa evolução dos desejos até chegar ao ponto da busca pela
espiritualidade. Que a crise global é porque estamos vivendo uma crise de
desejos. A raiz de todos os problemas está na insatisfação espiritual, ao
satisfazer o desejo espiritual todos os outros problemas desaparecerão.
A
partir de sua leitura pode conhecer um pouco sobre a Origem da Criação e seu
propósito (em nos tornarmos semelhante a Ele pelo prazer da doação – que em um
dado momento sentiremos prazer em doar e não só em receber – e depois de
buscarmos o porquê disso querermos genuinamente sermos igual a Ele), os Mundos
Espirituais (no qual difere da percepção que temos sobre a realidade), Nosso Mundo,
as fases que passamos até atingir o ser espiritual num nível espiritual. Quanto
mais buscamos pela espiritualidade (sermos altruístas) mais sentiremos mais
sensações espirituais (Reshimot – registros de experiências espirituais -
subiremos na espiral para mais próximo do Criador) – a conectividade, o amor, a
unidade desse estado.
“Precisamos sempre lembrar que nosso nível final de
desenvolvimento humano deve se desdobrar conscientemente e voluntariamente. Sem
um desejo explícito pelo crescimento espiritual, nenhuma evolução espiritual pode
ocorrer... Se agora, estamos para subir de volta a escada espiritual,
precisamos escolher fazer isso”. (lembra dos mundos? Então, existe uma “parte”
de nós já no “mundo espiritual” e nós aqui humanos na Terra – “embaixo” –
precisa se conscientizar de subir a espiral e se reencontrar com essa “parte”
mais elevada de nós mesmos)
Eu gostei bastante do livro e vou relê-lo algumas vezes para ampliar esse conhecimento adquirido e fazer as devidas correlações.
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